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sexo oral"Tenho vinte e seis anos, sou de Belo Horizonte e namoro, há nove anos, a mesma pessoa. No começo do nosso relacionamento, havia sexo todos os dias. No entanto, com o passar dos anos, isso foi acabando. Conversei com meu namorado agora a noite e ele me enviou uma matéria escrita por você. Fomos conversando, até que eu perguntei se ele gostava de sexo. Ele disse que gostava, mas, que não é fissurado e não sente falta. Atualmente, transamos de quinze em quinze dias e olhe lá. O que devo fazer pra recuperar isso? Não sei se é falta de interesse dele em mim ou se realmente não sente falta. Fato é que não me conformo com isso. Temos que procurar um médico? Obrigada”!

Resposta:

Querida leitora, se você tem vinte e seis anos de idade e namora há nove, significa que iniciou este relacionamento por volta dos dezesseis anos de idade. Em primeiro lugar, é preciso entender que, nessa idade, homens e mulheres estão com os hormônios “à flor da pele” o que, por consequência, coloca o desejo sexual lá nas alturas. Além disso, quando somos jovens, estamos em período de descoberta do funcionamento do nosso corpo em várias esferas, inclusive, na área da sexualidade. Identificação de zonas erógenas e sua estimulação, associada às mais variadas práticas variadas de masturbação, representam um mundo novo, prazeroso e com uma vastidão de conteúdos a serem explorados. Portanto, como você mesma disse, no início do namoro, você e ele transavam quase que diariamente.

Pois bem. Até aí, nada demais. Tudo dentro de um contexto esperado. Acontece, querida leitora, que a vida sexual das pessoas tende a não ser a mesma pelo resto da existência. Pode até ser que para algumas pessoas – que constituem exceção e não a regra – o furor sexual da adolescência permanece durante a idade adulta. Na maioria dos indivíduos, com o passar do tempo, a quantidade de relações sexuais diminui e, a quantidade vai dando, gradativamente, lugar à qualidade dos atos sexuais. É muito difícil encontrar um casal que, após quase dez anos de relacionamento, apresente o mesmo vigor e intensidade sexuais do primeiro ano de relacionamento, por exemplo. Com o passar dos anos, o corpo do outro deixa de ser novidade e, o relacionamento sexual passa a ter outros contornos, que não o das descobertas, porque estas já foram realizadas. Isso não quer dizer que o sexo tenha de ficar pior, aliás, muito pelo contrário. Porém, ganha um sentindo diferente da época em que tudo era novidade.

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Outro aspecto a ser observado, diz respeito à forma com a qual seu namorado respondeu sua pergunta. Ao ser questionado se ele gosta de sexo, a resposta foi que sim, porém, não na mesma intensidade que você. Isso tem algo de errado? Claro que não. Isso quer dizer que ele não goste de mulheres? Absolutamente. Acontece que, em uma cultura conservadora como a brasileira e, por consequência, machista, o homem tem de fazer o papel de garanhão, além de ter de ser um atleta sexual que está a fim de transar a qualquer momento. Se não estiver, há algo errado. Esta é uma visão distorcida porque, homens e mulheres tem necessidades e interesses variados em relação ao sexo. Logicamente, isso não representa nenhum tipo de doença. Faz parte da natureza física e psicológica de cada um. Simples assim.

Dicas pra você: não acho que seja o caso de procurar médico porque, em princípio, não existe nenhuma doença. O que está acontecendo é um descompasso de desejos do ponto de vista sexual. Não sei se você está mais voltada para a questão da quantidade do que da qualidade. Portanto, te convido a fazer essa reflexão. Da mesma forma, creio ser importante dizer que, em um relacionamento, existem coisas tão importantes quanto o sexo, que são amor, atenção, dedicação, cuidado, respeito, companheirismo e generosidade, entre outras coisas. Se você estiver pensando em terminar por causa disso, reflita bem. Eu sempre digo que, dentro de um relacionamento, temos necessidades mínimas a serem atendidas, entre elas, as sexuais. Se as suas não são minimamente atendidas, realmente vale a pena repensar a continuidade da relação porque, querer que o outro transe obrigado, seria o fim da picada. Lembre-se de que, num namoro ou casamento, o diálogo é fundamental. Não tenha vergonha de conversar abertamente sobre o que pensa e, na medida do possível, tente encontrar um meio termo com ele, que não seria sexo todos os dias mas que, também, não fosse demasiadamente espaçado. Boa sorte pra vocês!

Douglas Amorim
Psicólogo clínico, pós-graduado em Psicologia Médica, mestre em Educação, Cultura e Sociedade
Consultório: (31)3234-3244
www.douglasamorim.com.br

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