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A tipografia universal que une braile ao texto visível

Nas não tão frequentes ocasiões em que um texto impresso formado por caracteres visíveis (como estes) vem acompanhado da sua versão em braile, é comum que essa venha abaixo do original, como uma espécie de legenda.

Há pelo menos dois problemas nessa prática: dispostos assim, os dois sistemas de escrita ocupam muito espaço; e, separados, o braile se torna algo facilmente ignorado por quem não precisa dele.

Contra isso, alguns designers e tipográfos criaram tipografias – composições que envolvem espaçamentos e estilo de caracteres, como letras, números e pontuações – que unem a escrita impressa visível e o braile.

Em um caso mais recente, o designer japonês Kosuke Takahashi desenvolveu um tipo chamado Braille Neue, ou, traduzindo do alemão, “braile novo”. Sua criação se diferencia das demais, pois além de sobrepor o braile ao alfabeto inglês (que por sua vez é um braço do alfabeto latino), Takahashi faz o mesmo para fontes japonesas.

De olho nas Olimpíadas e Paraolimpíadas de Tóquio, em 2020, o designer diz que seu objetivo é “criar um espaço realmente universal onde qualquer um pode ter acesso à informação”. “Essa tipografia comunica tanto para pessoas com visão quanto pessoas cegas no mesmo espaço.”

“Raramente vemos o braile implementado no espaço público, uma vez que ele requer espaço adicional e as pessoas com visão não o consideram importante. A Braille Neue aborda esse problema tornando o braile algo fácil de ser usado por pessoas com visão. Ao espalhar essa tipografia, acredito que mais pessoas vão se familiarizar  com o braile.”

Kosuke Takahashi Designer criador da Braille Neue

Desenhando letras

No braile, sistema de escrita criado pelo francês Louis Braille no século 19 para deficientes visuais tais como ele, letras, números e pontuações são representados com pontos em alto relevo, dispostos de modo diverso em uma “grade” de três linhas e duas colunas.

Tendo em vista trabalhos similares produzidos em 2009, 2014 e 2015 por outros designers, Takahashi desenvolveu um estilo gráfico para os caracteres do alfabeto inglês, mantendo seus formatos alinhados aos pontos da sua versão correspondente em braile.

De acordo com o designer, a nova tipografia poderá também ser usada em sinalizações públicas já existentes, no caso do Japão, exigindo apenas pequenos ajustes de espaçamento entre as letras (kerning). Além de ser “fácil implementá-la na infraestrutura já existente”, ele diz que sua criação pode funcionar como “um primeiro passo para um futuro mais sustentável e inclusivo”, no qual o “uso de braile se torne algo comum”.

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