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passeio em divinopolis cheio de buracosFamiliares de uma idosa de 67 anos resolveram mover uma ação contra a Prefeitura de Divinópolis. Marcionília Neta de Souza reside na comunidade de Lagoa, zona rural da cidade. No dia 24 de maio, por volta das 9h45, seguia para sua última sessão de fisioterapia, quando caiu em um buraco na calçada, na Avenida Primeiro de Junho, em pleno Centro. A situação de Marcionília só piorou. Devido à queda, a idosa precisou ser internada no CTI (Centro de Terapia Intensiva) de um hospital particular.

Para entender melhor a situação, voltamos no dia seis de janeiro. Nessa data, idosa foi submetida à cirurgia no joelho. Cerca de três meses depois, no dia 20 de março, a idosa passou por outra cirurgia, dessa vez, no braço. Segundo os familiares, todos os procedimentos cirúrgicos seguiram de forma tranquila e após a segunda operação, em março, a idosa começou a fazer fisioterapia em um clínica situada na avenida Coronel João Notini. Tudo ia bem, quando no último dia... “Eu estava indo para última fisioterapia. Operei dia 20 de março. A última fisioterapia, tudo bem, meu braço tudo bem, joelho tudo bem, eu tava indo para fisioterapia, segurando o braço de uma colega. Enfiei os dois pés em um buraco e caí. Um tombo muito forte. Chegaram duas donas para me ajudar a levantar. A minha fisioterapeuta que me deu o primeiro socorro. Ela ligou pro médico na hora. Ele pediu para eu ir até lá. Me levaram e ele me olhou, pediu um exame de ultrassom e falou que deu perca total na cirurgia”, conta Marcionília.

PESADELO

Promoção de viagemEm seu último dia de fisioterapia, Marcionília foi levada às pressas para um hospital particular da cidade. As duas últimas cirurgias simplesmente foram perdidas. A idosa foi levada ao socorro médico. Na unidade hospitalar foram constatadas lesões em diversas partes do corpo, incluindo o joelho e o braço operado. No laudo médico emitido pelo hospital, consta no prontuário: “Pós-operatório de síndrome do impacto. Trauma por queda da própria altura no dia 24/05/2017”.

A idosa ficou internada por uma semana. Além das lesões sofridas nos membros que tinha operado posteriormente, a idosa foi parar no Centro de Terapia Intensiva, o CTI devido às complicações do quadro clínico. Adriana Patrícia Santos é filha de Marciolínia e contou ao Jornal Gazeta do Oeste que estava sozinha com a mãe no hospital, quando os médicos disseram que ela precisava ir para o CTI.

“Foi um susto muito grande. A gente não estava esperando. O médico tinha falado que a cirurgia correu muito bem, aí depois eu fui chamada, só estava eu lá na hora. Porque, em relação à primeira, todo mundo achou que seria normal. Depois o médico me chamou lá e falou que teve complicação, que teve que entubar ela e correram com minha mãe para o CTI. Aí eu fiquei em desespero, só eu sozinha esperando para ela ir para o quarto. Aí vem a noticia falando que ela estava no CTI”, conta a filha.

RECUPERAÇÃO

Passado o susto, uma semana depois, Marcionília teve alta médica e deixou o hospital. A idosa, que já possuía um pino no braço direito, foi operada e mais dois pinos foram implantados. Por recomendação médica, a idosa está aguardando a recuperação do braço para operar o joelho. Marcionília contou à reportagem o quanto tem sido difícil e doloroso passar por toda a situação. “Tinha feito uma cirurgia em janeiro no joelho e outra, em março, no braço. Eu perdi todas as duas. A do braço eu operei agora. Fui até o CTI e fiquei muito mal. Fiquei uma semana internada. Fiquei três dias no CTI entubada. Agora não dou conta de levantar mais meu braço. Estou na fisioterapia até hoje, mas dói demais. O meu joelho, para eu subir no ônibus, é a maior dificuldade”, disse.

Desde o acidente, todos os dias a idosa, que reside na comunidade de Lagoa, zona rural de Divinópolis, precisa vir ao Centro da cidade para, mais uma vez, realizar a fisioterapia. No entanto, as fortes dores têm limitado as atividades de Marcionília. “Hoje nem a fisioterapia eu dei conta de fazer. Foi aquele negócio quente e depois com gelo. Meu braço está inchado. Eu venho 9h da manhã fazer a fisioterapia e volto às 14h, pois só tem ônibus esse horário e todos os dias eu tô ficando aqui”, desabafou.

CUSTOS

Todas as despesas médicas e hospitalares estão sendo arcadas pela própria família de Dona Marcionília. Ela possui plano de saúde que auxilia na cobertura de parte dos procedimentos, mas as despesas tem estreitado a renda. É que a idosa vive apenas com um salário mínimo. “Não teve reembolso nenhum. A gente vai levando porque é a saúde dela em primeiro lugar. Então, paga um boleto e espera o outro chegar. Assim a gente está empurrando. Cobram tudo, exame, fisioterapia, consulta, a internação também teve que pagar taxa. É uma despesa que a gente não esperava. Aposentada, ganhando salário mínimo, tá difícil. Não tá fácil não”, disse Adriana.

Além de tudo isso, os problemas enfrentados pela família não terminam por aí. A idosa precisa esperar a recuperação do braço, para novamente operar o joelho. Mais uma despesa para a família de Dona Marcionília. “Tem a do joelho. O médico aconselhou esperar recuperar o braço, para depois fazer a do joelho, porque senão, como ela vai ficar com dor no joelho e no braço? A outra cirurgia vai depender da recuperação. Tem que esperar ela recuperar bastante, ainda mais por ela ter ficado no CTI. Na primeira cirurgia, teve que colocar um pino, nessa outra cirurgia, foram dois pinos no braço”, acrescentou a filha.

A família ainda fala do sofrimento e do transtorno. “Realmente, trouxe sim. Ela tem que sair cedo da casa dela para vir para cá. Ela estava muito bem, a recuperação dela estava ótima, em relação as duas cirurgias, sabe? Agora não, a recuperação dela está muito lenta. Foi uma cirurgia atrás da outra. Não tinha nem recuperado da outra direito e teve que fazer outra cirurgia. Ela mora lá, às vezes a gente não tem condição de ir na roça para fazer as coisas para ela e às vezes ela tem que fazer as coisas sozinhas, com o braço desse jeito. Então, a gente está tomando uma atitude. Tem muita gente que cai, mas não procura o recurso. Porque fala que é o município, depois fala que é o dono da loja, dono da calçada, mas a gente tem que encontrar. Do jeito que está não pode ficar”, questionou Adriana Patrícia Santos.


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RECURSOS

Diante do ocorrido, a família resolveu acionar a justiça buscando respostas. O advogado especialista em direito e defesa do consumidor encaminhou o processo à Vara da Fazenda Pública. “Na verdade, verifica-se que há um defeito na prestação de serviços por parte do município, em zelar pela integridade física do transeunte, do pedestre. Porque é obrigação do município zelar, reformar e inclusive sinalizar esses locais, para evitar que as pessoas tenham quedas e tenham danos como a senhora Marcionília teve”, argumentou o advogado.

Responsável pelo caso, Eduardo ainda falou sobre as qualificantes em relação ao município. “A ação é distribuída na vara da Fazenda Pública. O Município é citado. Ele vai fazer a sua defesa e ao final, o juiz vai julgar, sentenciando procedente ou improcedente e o resultado cada parte vai ter o direito do seu recurso. Nós estamos requerendo a restituição dos valores que foram gastos com a questão da cirurgia, a questão do tratamento, bem como também uma indenização por danos morais, que inicialmente requeremos 100 salários mínimos”, destacou.

A calçada onde Dona Marcionília se acidentou foi readequada e os buracos tampados. Porém, basta seguir pela calçada mais estreita da avenida Primeiro de Junho, a mesma em que a idosa se machucou para encontrar outras irregularidades e buracos no chão. À própria vítima, resta a esperança de uma recuperação rápida e sem dor. “E olha só... foi um problema na calçada. Foi muito feio o tombo. O que eu estou passando aqui, eu não desejo para ninguém. A dor que eu estou sentindo no braço e no joelho. Misericódia. Dói demais”, disse entristecida a nossa reportagem.

O Jornal Gazeta do Oeste procurou a Prefeitura de Divinópolis. Foi encaminhado um e-mail descrevendo a situação de Marcionília Neta de Souza. A reportagem também perguntou se a Prefeitura tinha sido notificada do caso da idosa e se existe algum plano de reestruturação das calçadas, principalmente nos corredores principais e movimentados, como é o caso da Avenida Primeiro de Junho. Entretanto, até o fechamento desta edição, nenhuma resposta foi encaminhada.

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