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Vereadores OliveiraA cidade de Oliveira, no Oeste de Minas Gerais, passa por uma revolução. Na semana antes do Carnaval, os vereadores da cidade decidiram que iriam aprovar um aumento de seus próprios salários. Os vencimentos passariam, assim, de cerca de R$ 3.000 para pouco mais de R$ 5.000.

O projeto, assinado por dez dos 13 vereadores, incluindo o presidente da Casa, foi incluído na pauta do plenário na última hora. Imediatamente depois, foi pedida a urgência da proposta.

O vereador Leonardo Leão (PSDB) foi o único que decidiu agir. Pediu vistas do projeto. “Então, pela primeira vez na cidade, o presidente não me concedeu vista. Foi feita uma reunião com uma comissão, eles saíram por cinco minutos, e então decidiram que eu teria esse direito”, afirma Leão.

Enquanto não se realizava a próxima reunião, a história do aumento dos vereadores se espalhou pela cidade, e indignou muitos moradores, como a bacharel em direito Cristiane de Sá Ferreira, 34. “No ano passado, a prefeitura cortou um monte de coisas, salário de estagiário, a Apae deixou de receber R$ 60 mil, e a própria Câmara reduziu o horário de funcionamento”, afirma ela.

Indignada, Cristiane se uniu a outros moradores, e decidiram fazer um abaixo-assinado pedindo a redução dos salários dos vereadores para R$ 1.200.

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“Tínhamos que recolher 1.200 assinaturas e conseguimos umas 2.500”, comemora a oliveirense. Como resultado, os vereadores acabaram retirando de pauta o projeto de aumento. Mas antes que a emenda de redução dos salários dos parlamentares locais fosse votada, a mesa diretora apresentou outra proposta, ainda mais polêmica.

Nova proposta. A nova proposta prevê salário mínimo para todos os vereadores e corte de 50% nos salários do prefeito, vice-prefeito e secretários municipais. O projeto foi colocado em votação na semana passada, era assinado por 12 dos 13 vereadores e tramitaria em regime de urgência. Porém, antes que se iniciasse a votação, a própria mesa diretora pediu vistas da medida.

Secretários. Independente das intenções por trás da nova medida, há quem veja mais problemas. “Todos os vereadores têm uma atividade paralela. Eu, por exemplo, sou produtor rural. Temos horários flexíveis. Mas um secretário, às vezes, tem que estar disponível 24 horas por dia. Ele assina juridicamente e se responsabiliza por questões do município. Não dá para colocar uma pessoa num cargo desse ganhando R$ 1.200”, argumenta Leão.

Outro lado. A reportagem de O TEMPO tentou, por diversas vezes, entrar em contato com o presidente da Câmara de Vereadores de Oliveira, Venício dos Santos (PTB), mas não obteve retorno. A reportagem também tentou falar com o vereador Geraldo Nicácio Júnior (PRTB), vice-presidente da Casa, e com Francisco Ribeiro (PDT), primeiro secretário. A Câmara, porém, não soube fornecer informações de contato sobre ambos.

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