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Moro pede demissão após ser comunicado de troca na PF

Bolsonaro demite Sérgio Moro

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, pediu demissão nesta quinta-feira (23) após ser comunicado pelo presidente Jair Bolsonaro que o comando da Polícia Federal seria trocado. O diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo, é seu homem de confiança.

Após a decisão de Moro, o Planalto tentava reverter a crise e manter o ministro mais popular de Bolsonaro no governo.

Moro se reuniu entre 9h e 9h30 com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, quando foi informado pelo mandatário da decisão de substituir Valeixo nos próximos dias. Moro comunicou que, se o comandante da PF fosse substituído, não permaneceria no governo. Do início até o fim da tarde, a cúpula palaciana tentava reverter a decisão.

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O trabalho, contudo, é duplo. Não apenas os ministros do Palácio do Planalto tentam acalmar Sergio Moro, como procuram fazer o presidente mudar de ideia e desistir da substituição de Valeixo. Ambos, porém, seguem firmes em suas decisões.

Oficialmente, a assessoria do Ministério da Justiça nega que o ministro tenha pedido demissão. Ele contudo afirmou ao presidente: “Se Valeixo sair, eu saio”, segundo interlocutores.

Valeixo é da cota pessoal de Moro. Foi superintendente da Polícia Federal no Paraná e participou de várias ações da Operação Lava Jato, quando Moro era juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba. Coordenou, por exemplo, a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Rixas constantes

A saída de Maurício Valeixo do comando da PF e a substituição por um indicado pelo presidente enfraquece o ministro da Justiça em sua principal área de atuação. Interlocutores de Moro chegaram a destacar ao HuffPost que a intervenção de Bolsonaro vem em um momento no qual a PF está promovendo uma “devassa nas contas federais” para evitar desvios de verba com gastos com as ações de combate à covid-19.

Essa não é a primeira vez que Bolsonaro tenta retirar Valeixo do comando da Polícia Federal, embora tenha prometido a Moro “porteira fechada” ao convidá-lo para seu governo ainda em 2018.

Em agosto de 2019, o presidente anunciou uma intervenção na Superintendência da PF do Rio de Janeiro, com a troca de Ricardo Saadi por Alexandre Saraiva. Mas foi um delegado avalizado por Moro que acabou nomeado diretor da PF: Carlos Henrique Sousa.

A intervenção de Bolsonaro à época foi malvista dentro do Ministério da Justiça e da Polícia Federal. O presidente deu diversas declarações afirmando que caberia a ele e não a Sergio Moro fazer nomeações no órgão.

Moro já havia sofrido, porém, outras derrotas, como a perda do antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que saiu do guarda-chuva do Ministério da Justiça, foi para o Ministério da Economia e agora está com o Banco Central.

Ao abrir mão de 22 anos de sua carreira de juiz para integrar o governo de Jair Bolsonaro, o atual ministro da Justiça exigiu que o órgão de combate à corrupção ficasse sob seu controle e assim lhe prometeu o presidente.

Bolsonaro também prometeu a Moro que uma das vagas do STF (Supremo Tribunal Federal) seria dele, mas depois voltou atrás e disse que escolheria alguém “com o perfil” de Sergio Moro e não necessariamente o ex-juiz. 

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